domingo, 27 de dezembro de 2015

O Natal da Força


A Força poderosa é com essa SuperFamília:
postagem especial, última do ano, pela primeira vez desde fevereiro com um título com mais de uma palavra!

Quantas vezes você não precisou daquela fralda nova e distante e, impossibilitado de sair do lugar por causa do seu bebê fujão em cima da cama - que ou se viraria todo sujo e faria uma grande lambança ou rolaria para fora da cama e os problemas seriam maiores ainda -, desejou ardentemente que o pacote flutuasse até a sua mão desejosa e escancarada no ar? Ou então sonhou em ter um potente sabre de luz para ir ceifando aquela cambada de brinquedos espalhados pelo caminho na casa inteira, desesperado por não pisar descalço num daqueles blocos de montar (e, garanto, não há Jedi que aguente aquela dor)! Pois é, qualquer papai ou mamãe com mais de 30 anos (ou menos, dada a nova trilogia dos Episódios I, II e III) e que preze um bom cinemão sabe muito bem associar o seu universo belicoso de criar uma criançada ao da belíssima saga de Guerra nas Estrelas - ou Star Wars, como querem os bilíngues distribuidores culturais da atualidade! E, quando se tem um SuperTrio em casa, precisa-se da Força mais poderosa possível, especialmente no final do ano... Afinal, com grandes festas, vêm grandes responsabilidades!

E, às vésperas da estreia mais aguardada do ano - ou de mais de uma década, para nerds de carteirinha como eu -, não poderia ser diferente e numa verdadeira operação de guerra se tornou a estratégia logística para que a Mamãe e o Papai aqui, depois de várias tentativas frustradas de ter um momento a sós no escurinho de um cinema, pudéssemos abandonar nossos postos profissionais e domésticos para vermos a primeira sessão (à exceção, obviamente, da pré-estreia da meia-noite!) de Star Wars - Episódio VII - O Despertar da Força: assim, com tudo muito bem acertado com a Vovó-Dinha (para onde a SuperFilha foi enviada) e com a SuperBabá Ciça alertada para ficar umas horinhas a mais com os SuperBebês, eis que um SuperCasal comemorava, na medida do possível, seu retorno a uma de suas primeiras sessões juntos, há muito, muito tempo atrás, na longínqua galáxia de 1997, onde eu mostrava à então SuperNamorada uma saga a que ela ainda não era nem um pouco acostumada! Agora, quase 20 anos depois, mesmo em meio ao cansaço e a alguns outros desgastes, toda a emoção voltara com o entusiasmo de um filme que emulava velhos acontecimentos (as mesmas naves e, de novo, "Estrela da Morte"?!), entre velhos e novos astros (a linda e excelente Daisy Ridley, ao lado de medalhões como Harrison Ford, emociona), para toda uma nova geração ávida pelas grandes aventuras de outrora... 

Filme bom, passeio nervoso: ainda envolvidos com o retorno da magia (dentro e fora das telas), eis que as nem tão boas notícias de casa vindas pelo celular apressaram o passo dentro do shopping, a reduzir o tempo do passeio, e já deixavam todo o encantamento com aquela saga cada vez mais distante: o SuperFilho continuava com sua virose com diarreia e a SuperFilhotinha ganhara um galo na testa graças a um escorregão numa revista deixada no chão do quarto... por mim! Na volta pra casa, um pouco de silêncio em meio a tantas realidades não muito agradáveis dos últimos tempos passa a tomar conta de nosso Bala de Prata, veículo tão potente quanto o melhor caça X-Fighter da Aliança Rebelde, mas que, por ora, nada guardava da alegria infantil que tomaria qualquer fã da cinessérie logo após ver um espetáculo tão divertido... E foi aí que, imaginando como seria voltar para casa em outro espírito - ouvindo, de preferência, a clássica trilha sonora de John Williams nalgum dos meus pen-drives no som do carro -, meio que passei a viajar para longe, além das estrelas, e divaguei um pouquinho, como num sonho, sobre uma versão atualizada e realista de um fim de ano da SuperFamília em meio a fantasiosas guerras estelares... Aos poucos, os faróis dos carros no escuro da via expressa pareciam estrelas perdidas e, música empolgante ao fundo, os já famosos letreiros amarelos em perspectiva passavam a anunciar o que ocorrera até agora (não deixem de clicar no vídeo de 1 minuto abaixo: deu um trabalhão pra fazer e complementa a croniqueta): 


Pois é: os injustos cortes na faculdade e o mercado jurídico quase falindo ainda incomodavam bastante e algumas perspectivas acabam mudando bastante... Chegando em casa, a fantasia se desfaz de vez à medida que tantos probleminhas chatos exigem resoluções imediatas e toda a rotina volta com a força mais realística possível! Mesmo assim, ciente do excesso de "midi-chlorians" que acompanham e habilitam "nosso herói" a seguir em frente, mas cansada de aconselhá-lo a investir mais nele e completar o seu "treinamento como Mestre", a Mamãe - que há tempos desenvolveu um tipo bem concreto de "Força" (que a gabarita a acordar cada vez mais cedo, educar muitos padawans e ainda analisar sistemas dos mais difíceis ao longo do dia) -, parecia principiar a ser dominada pelo "Lado Negro" do desânimo, que, como parte de um organismo vivo que é a SuperFamília, acaba disseminando entre todos, especialmente no cansado Papai aqui... 

E, com a chegada das festas de fim de ano, ocasião em que praticamente se obrigam as pessoas a estarem felizes e realizadas, o vindouro Natal não soava tão auspicioso - ainda mais quando os SuperGêmeos manteriam seu doce hábito de dormir cedo na "Noite Feliz" e os Avós Dinha e Lito ficariam em seu apartamento, diminuindo ainda mais qualquer promessa de agitação. Mas nada que a alegre SuperFilha, com seus poderes do amor superiores a qualquer força cinematográfica - e aparentemente redimida de sua normalmente mal-humorada "Birra Sombria" -, não pudesse resolver: ela era "a outra esperança" que diziam os antigos sobre o equilíbrio no universo doméstico e, assim, a mesmice modorrenta e meio sem rumo viraria uma noite de fantasias: eu me vesti de Papai Noel (- Só não faz a voz dele... Nem faz 'Ho-Ho-Ho'... Nem usa a barba, por favor..., implorava minha doce filhona); ela recorreu à antiga roupa do balé de 2 anos atrás e virou a Fada do Vento; enquanto a Mãe, em elegantes trajes normais, fantasiava sobre futuros natais tão bonitos quanto aquele e, de preferência, mais leves... E, após a ceia com o tradicional e suculento peru made at home, todos nos abraçamos juntos, admirando as duas luas gigantes de Endor no horizonte e os fogos pela derrubada - ainda que temporária - do Império do Mal do acabrunhamento...

Feliz Natal a todos e que a Força da Família esteja com vocês em 2016, em seus lares e em toda a galáxia! São os votos do Papai Skywalker, Rainha Mamãe Amidala, Filha Fett e dos SuperGêmeos - Leia e Luke?! Não: da Rey bebê (ela, sempre catadora das melhores traquitanas e bugigangas) e do BB-8, o fofinho e redondinho robozinho, quase um bebezinho mesmo, que rola por toda parte!

Os gêmeos têm muito desses dois...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Feiras



Sábado, 28 de novembro de 2015...

Quando o Papai aqui estava na quinta série, todos na turma fomos tomados de surpresa com uma didática até então desconhecida para nós, pobres alunos de 10 para 11 anos de idade: teríamos que escolher um projeto com o professor de Ciências, desenvolvê-lo em equipe e apresentá-lo, ao longo de um dia inteiro, para os colegas e inúmeros outros desconhecidos que visitassem a primeira Feira de Ciências da nossa escola - sim, nos moldes daquelas feitas escolares nos EUA sempre mostradas nos filmes, onde os melhores trabalhos costumam até ganhar uma medalha pelo desempenho (sendo que essa história de medalha só seria copiada por aqui tempos depois, no terceiro ano do ensino médio, mas como premiação nos vestibulares simulados). No entanto, enquanto por lá, a meninada é acostumada desde cedo a essa realidade, para nós tudo seria completamente novo, abrupto e, consequentemente, assustador!

De qualquer forma, como líder da equipe, praticamente escolhi sozinho a experiência, pelo meu grupo de "meninas bonitas" (eu estava lá só por causa da minha então "Musa"...): uma garrafa, um funil, algodões, cal, água e "a prova de que existe gás carbônico no ar" (sempre terminávamos nossas apresentações-experimento com esta poderosa "frase científica"). No final, depois de muito suarmos nossas surradas camisetinhas especialmente pintadas para o evento (com os devidos "EQUI-alguma coisa e um desenhinho bonitinho a estampar o que se apresentava), ganhamos um dez (bem, acho que todos ganharam...) e interessados elogios de alguns visitantes: graças a Deus, deu tudo certo! Bom, nem tudo, na verdade: com o intenso stress de dois turnos quase ininterruptos como líder de equipe (logo, eu tinha mais turnos de 1 hora do que as beldades do resto do grupo), o tempo inteiro gastando a garganta a explicar o experimento a quem viesse e morrendo de calor naquela nossa escola pequena e abafada, acabei adoecendo... E não só eu, como qualquer outra criança mais empenhada em seus trabalhos naquele dia exageradamente estafante, passou maus bocados! Um abuso, com certeza, desrespeitando os limites infantis em prol de uma "inovação didática" e dos holofotes da imprensa local para o "melhor colégio" de então - aquele que tinha até a "inovadora feira de ciências"...

O tempo passou e, mais de 25 anos depois, eis que já faz três anos que a Mamãe e eu matriculamos a SuperFilha no mesmo colégio, agora totalmente renovado e bem estruturado numa sede de fazer inveja a muitas instituições de ensino - ele ocupa todo um imenso quarteirão num bairro nobre da Cidade, bem diferente do aperreio da minha época de aluno (onde ocupávamos uma área toda irregular e que aproveitava casas e prédios antigos conjugados no amocambado Centro). E, no sábado retrasado, participamos da sua terceira incursão na Feira do Conhecimento, espécie de "versão moderna e melhorada" das minhas antigas feiras e adaptada para os alunos mais miúdos - sendo que, neste ano, a apresentação do seu projeto seria algo emocionadamente diferente (tanto é que até a Vovó-Dinha se fez presente para aplaudir na primeira fila!): a declamação de vários poemas de autores célebres, como Manoel Bandeira e Cecília Meireles (que a filhona recitou, ao lado de mais dois coleguinhas, com o delicado Leilão de Jardim), e a reprodução do quadro O Pescador, de Tarsila do Amaral, numa releitura coletiva das próprias crianças por meio de materiais recicláveis, foi, no mínimo, extremamente emocionante para o Papai aqui, sempre tão ligado às artes em geral! E, o que é melhor, sem o nervosismo estressante daqueles tempos idos: todo o evento - que consistia também em visitações a outras salas e projetos diversos -, foi muito bem organizado em estandes temáticos e durou menos que o turno de uma manhã! Uma pena que os SuoperGêmeos não tenham podido ir (eles costumam dormir entre as 9 e as 11 h).

A maior mudança que vi no colégio, porém, foi a melhoria pedagógica no desenvolvimento de projetos científicos ou culturais junto às crianças: mesmo com alguns senões que vez por outra critico aqui (como uma mais que equivocada apostila, com erros de Português!), há tempos que a escola realiza um belo trabalho ao longo de todo o ano letivo, com variadas vertentes sendo trabalhadas em paralelo, não mais realizando evento algum em cima da hora ou trabalhando especificamente um projeto somente para uma  uma feira. Assim, além das atividades específicas, a Filha sabia de cor todos os outros poemas daquele recital, juntamente a várias canções clássicas da MPB (sendo que ela já conhecia João e Maria e A Banda, de Chico, desde os nossos embalos para ela dormir aos 3 anos), teve excelentes noções sobre a arte de Tarsila e o movimento modernista, sem esquecer a ida ao museu paleontológico para conhecer, na prática, as muitas informações sobre dinossauros e fósseis que recebeu ainda no primeiro semestre. Tudo coroado com a apresentação do espetáculo Frozen - Uma Aventura Congelante, onde minha super-heroinazinha viveu lindamente uma das azuis "aves do verão" (a qualidade do balé e as coreografias acabaram inferiores em relação aos anos anteriores, mas a beleza geral só aumentou) e, nesta última quinta, as duas turmas do Infantil 2 marcaram o penúltimo dia letivo do ano ao participarem de uma breve cantata em Inglês, com I wish you a merry Christmas, My Shadow e Days of the week - e, com a pronúncia quase impecável da pequena, ficou difícil conter a emoção...

Agora, diante das férias que começam hoje, resta a imensa vontade - muitas vezes impossível de se concretizar na prática - de aperfeiçoar em casa os tantos aprendizados vivenciados no colégio... Isso sem falar no quase desespero de procurar tornar especial cada um desses vindouros "dias sem aula" - mesmo aqueles mais entediantes onde nada mais resta além de ficar deitada em frente a uma TV por várias horas... Mas só em ver uma nova postura professoral não só desta como de outras escolas locais, com respeito à criança e com vontade concreta diante do estudante, resta um gostinho bom de dever bem cumprido pela filhona em relação à sua Educação (pagamos tão caro, exigimos o mínimo...) e, por fim, paira um consolo em relação aos atropelos non sense dos tempos idos, ocasião em que até um shopping (!) teve suas áreas abertas ocupadas para as apresentações de alguns anos daquelas feiras de ciências da minha infância e adolescência... Afinal, tudo evolui - e que seja a escola, pública ou particular, com sua gigantesca responsabilidade social, a primeira a ter essa ciência: respeito, consideração com as crianças e jovens e conhecimento são coisas que não se acham na feira!

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